16/11/2014

Breve História da Loja Cultura de Vassouras

Segundo relato do escritor Ignácio Raposo, em seu livro "A História de Vassouras" 2ª Edição, 1978, a Maçonaria Vassourense teve seu berço ainda na época do Império, quando, por volta dos primeiros dias de junho de 1852, foi criada a Loja Maçõnica Estrela do Oriente, cuja sede situava-se à rua do Teatro, atualmente rua Visconde de Araxá. Nessa Loja, praticava-se o Rito Escocês Antigo e Aceito. Dela fizeram parte o Dr. Joaquim Teixeira Leite (que por diversas vezes empunhou o malhete da Loja), o Dr. Alexandre Joaquim de Siqueira, as mais altas figuras políticas da época, nobres como o Visconde de Araxá, os Barões de Massambará, de Vassouras, de Tinguá e Campo Bello, Drs. Baltasar de Abreu Cardoso, Joaquim Francisco Faria e Leopoldino Chaves e negociantes Antônio Custódio de Magalhães, Antônio Lúcio de Carvalho, Benjamin Benatar, Domingos Batista Gonçalves, Daniel Haas, Gregório Antonio Puga Garcia, o benemérito irmão José Fernandes Gorito e os irmãos Correa e Castro, entre outros.
Todos os anos, em 24 de junho, realizava-se grande festa alusiva a São João, "na qual tomava parte o mais alto escol da sociedade vassourense".
A Loja adotou posteriormente o título de Benemérita Loja Capitular Estrela do Oriente de Vassouras e "reunia em seu quadro, os mais subidos nomes que àquela época floresciam no município".
Esta Loja, entretanto, abateu colunas por volta de 1881, doando seus bens à Câmara Municipal de Vassouras.
A atual Loja Maçônica de Vassouras iniciou por volta de 1970, e já naquela época sua história esteve entrelaçada com o início do que hoje é a Universidade Severino Sombra. Com efeito, havia um grupo de maçons que frequentavam a Loja José Bonifácio, entre os quais destacam-se Mário Branco, Nilso, José Baptista, Durval, Waguinho, José Liberano, Francisco João Pereira Filho, entre outros. Este último, maquinista da antiga Estrada de Ferro Central do Brasil, no percurso da linha auxiliar, que interligava Governador Portela, Barão de Vassouras e Barão de Juparanã. Esta linha era, na época, único acesso para quem viajava ao Rio de Janeiro. Foi numa dessas viagens que o Ir.'. Francisco Pereira conheceu o saudoso General Severino Sombra de Albuquerque, que manifestou-lhe sua intenção de criar uma Coimbra Brasileira. O Ir.'. Francisco, então, levou o Gen. Sombra a hospedar-se no hotel de D. Mara, hoje Mara Palace Hotel, e nos dias de folga, colocou um Dauphine 62 à disposição deste, ocasião em que percorreram a cidade em busca de local apropriado para a instalação do campus universitário.

Assim, o primeiro diretor da Faculdade de Medicina foi o Cel. Roberval Brown Rojas, que após conhecer o Ir.'. Francisco Pereira, juntaram-se ao Ir.'. Mário Branco para conceber a idéia da criação de uma loja maçônica em Vassouras. Com essa finalidade, então, médicos, professores e alunos da Faculdade de Medicina de Vassouras, provenientes de vários estados da federação, reuniram-se sob a liderança do médico e maçom Mário Branco e a eles juntaram-se outros valorosos maçons, aqui residentes, que freqüentavam a Loja José Bonifácio, do Oriente de Barra do Piraí. Revendo os livros de atas da Loja, deles constam os nomes e assinaturas de todos que participaram de sua fundação, que aconteceu em 23 de setembro de 1970. Seu primeiro Venerável, Dr. Mário Branco, conduziu a loja na escolha da Obediência e Rito a serem seguidos. Estas reuniões iniciais foram realizadas no consultório do Irmão Mário Branco, no prédio onde situava-se a Caixa Econômica Federal, passando depois para a sede do Fluminense de Vassouras por uns seis meses, até a transferência para o Templo improvisado à rua Nilo Peçanha, antiga torrefação do Café Agulhas Negras, onde funciona, hoje, a Gráfica Palmeiras.
Em 1972, o Irmão Mário Branco foi reeleito para o cargo de Venerável. Neste período, a Loja aprovou a confecção do seu timbre, cuja interpretação - "Um círculo geométrico circunscrevendo um triângulo, em cujo vértice acha-se a estrela flamígera, criação do Universo sob a égide da trindade divina. Signo dos altos Iniciados, a estrela de cinco pontas simboliza o homem perfeito, coordenando o seu ser físico, emocional, mental, intelectual e espiritual. O esquadro e o compasso sobre a Bíblia, uma das jóias da alfaia da Loja, símbolo maçônico dos mais usados - cultura e sabedoria que ilumina e dirige o macrocosmo e o microcosmo, medida de Justiça. A estes símbolos são acrescentadas 3 palmeiras lembrando a tríade maçônica e que passa a simbolizar Vassouras".
Ainda durante o segundo período da gestão do Irmão Mário Branco, a Loja recebe sua Carta Constituitiva definitiva pelas mãos do próprio Grão-Mestre Estadual, Raphael Rocha, em cuja ocasião a Loja recebeu a visita do Irmão Nicola Aslan, autor de diversos livros maçônicos.
Dos registros constam ainda que os primeiros anos da Loja foram não só difíceis pelo esforço de constituir sua sede própria, mas também porque os irmãos que ajudaram a fundá-la, a maioria professores, médicos e alunos, quase sempre eram transferidos ou iam embora de vez. A Loja, então, ficava desfalcada e o processo de renovação, pelas características próprias da maçonaria, demorado.
As primeiras comissões provisórias, formadas para dar curso ao processo de reconhecimento da Loja, foram compostas dos seguintes irmãos fundadores:
Venerável: Mário Branco
Vice-Presidente:
 Roberval Rojas Brown
Tesoureiro: Crehontes Paixão2º Tesoureiro: Francisco João Pereira Filho
1º Secretário:
 Ivan B.Jaime

2º Secretário:
 Pedro Dutra

Comissão de Patrimônio:
 Francisco Antonio Ibrahim,
Durval de Souza
.Nogueira e Newton dos Passos AlvesComissão de Finanças: João Batista da Motta, Hermínio de S.Cruz Filho.e Álvaro José de Oliveira
Comissão Estatutária:
 Fernando Rocha, Crehonte Paixão e João
...........................................Francisco Pereira Filho
Na primeira reunião, após a fundação da Loja, estiveram presentes os seguintes irmãos: José Liberano, Themis Valle Rezende, Walter Macedo, Heitor P.Guimarães (V.´.M.´. da Loja Amor ao Próximo), Virgílio Capella e Wantuil Costa (do Or.´. de Paraíba do Sul), Ary C.de Souza (Deputado Estadual da Pod.´.Assembléia do Estado do Rio de Janeiro).
Os malhetes usados em Loja até os tempos atuais foram doados em 07/05/1980 pela Loja Mário Moacyr Salgueiro, Or.'. de Barra do Piraí/RJ.

Observações: 
++ O texto acima foi extraído do trabalho produzido em conjunto pelos Irmãos Antonio Martins e Joel Venturini, que pesquisaram os registros e atas da Loja.

++ Em setembro de 2008 foram incluídas novas informações obtidas da entrevista concedida há algum tempo pelo Ir.'. Jorge Pereira, que esclarece alguns fatos que ainda não haviam sido mencionados.

++ Em outubro de 2009 o texto foi novamente alterado, desta vez em função do acesso ao original do livro do escritor Ignácio Raposo, de onde retiramos mais algumas informações. Incluída também informação de doação dos Malhetes da Loja.

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