Há 14 anos atrás, a reduzida oferta de imóveis disponíveis para aluguel era um complicador à parte para quem estava chegando na cidade para morar.
Foi numa tarde de sábado, depois de ver alguns imóveis, e ainda indeciso, que passei em frente à Loja Maçônica Cultura de Vassouras, de onde vi alguns irmãos na varanda, em pé, conversando, todos trajando o terno preto, indumentária obrigatória para ocasiões especiais. Decidi, então, aproximar-me para cumprimentar o grupo e ao mesmo tempo procurar saber de alguma informação sobre aluguel dentro das características que eu idealizava.
Na varanda, conversavam animadamente vários aprendizes, e após haver-me apresentado, expliquei que estava na cidade com o objetivo de avaliar os imóveis para locação. Descobri que, naquela tarde, estava havendo uma Sessão Magna de Iniciação, e demorei-me um pouco mais, a cada nova apresentação de outro irmão.
Alguém me apontou um senhor grisalho, olhar translúcido, expressão firme, a quem disseram tratar-se do Venerável da Loja - Ir.'. Delamônica. Feita a identificação de praxe, o senhor mostrou-se muito atencioso, deu-me seu telefone para contato, explicou-me que estaria iniciando uma Sessão Magna em instantes e que iria procurar saber de algum imóvel conforme eu havia explicado.
Foi um contato de meia hora, portanto rápido, até porque eu estava em companhia de familiares, meu filho menor estava na época com apenas 3 meses, então não pude demorar-me. Mas não tão rápido para que eu deixasse de notar desde aquele momento que o senhor que me atendeu - então Venerável da Loja - era possuidor de uma personalidade bastante incomum.
Conservando ainda traços do sotaque característico da região de sua origem, o Coronel Delamônica, ou simplesmente “coronel”, ou “seu Átila” ou “Delamônica” como é geralmente chamado, sobressai-se logo no primeiro minuto em que o conhecemos pela sua postura objetiva e grande eloqüência. De fato, possuidor de grande capacidade de comunicação, exerce uma natural liderança sempre solidária e sensível ao problemas das pessoas que o rodeiam.
Coxipó da Ponte - Cuiabá
Cuiabá Av Generoso Ponce 1940
Cuiabá Antiga
Nascido em Cuiabá/MT por volta da década de 20 – o ano preciso é fonte de muitas histórias (e risadas) contadas pelo próprio Delamônica. De origem espanhola por parte de sua bisavó paterna e italiana por parte do avô paterno, sua avó paterna era uruguaia assim como seu pai . Filho caçula de uma família de mais duas irmãs e dois irmãos. Uma das irmãs, com 93 anos, mora atualmente em Cuiabá.
Seu pai era técnico em prospecção de ouro na Chapada dos Guimarães e a mãe, gaúcha de Santa Vitória do Palmar, era professora. Foi aluno do Colégio Salesiano, trabalhou desde os 13 anos, foi comerciário, inclusive caixa das Casas Pernambucanas em Cuiabá, quando em 1935 passou para a vida militar.
1939 - Radiotelegrafista, chegando a 2º sargento do Quadro Rádio Operador, atuando no Quartel General do Exército no Rio de Janeiro.
1942 - Matriculou-se na Escola de Intendência, alcançando o 30º lugar numa turma de 300 candidatos. Na época de sargento até 1º tenente, montava rádio (montou mais de 1.000) e era professor de formação de técnicos em eletrotécnica.
24/07/1944 - promovido a aspirante a Oficial de Intendência, foi servir em 3 Corações/MG no 4º Regimento de Cavalaria, para logo a seguir receber mais uma promoção – em dezembro de 1944 foi a 2º Tenente.
1946 - 1º Tenente
1950 - Capitão (foi servir no Regimento Floriano da Vila Militar/RJ)
1956 - Major
1964 - Tenente-Coronel
1967 - Passou para a reserva como Coronel, indo morar em Cascadura, no Rio de Janeiro.
Carreira Militar
1935 - Iniciou no Exército como ajudante de motorista, em 1º agosto, no 16º Batalhão de Caçadores. Depois de 3 meses, foi promovido a 2º cabo e passados mais 3 meses, promovido a 1º cabo.1939 - Radiotelegrafista, chegando a 2º sargento do Quadro Rádio Operador, atuando no Quartel General do Exército no Rio de Janeiro.
1942 - Matriculou-se na Escola de Intendência, alcançando o 30º lugar numa turma de 300 candidatos. Na época de sargento até 1º tenente, montava rádio (montou mais de 1.000) e era professor de formação de técnicos em eletrotécnica.
24/07/1944 - promovido a aspirante a Oficial de Intendência, foi servir em 3 Corações/MG no 4º Regimento de Cavalaria, para logo a seguir receber mais uma promoção – em dezembro de 1944 foi a 2º Tenente.
1946 - 1º Tenente
1950 - Capitão (foi servir no Regimento Floriano da Vila Militar/RJ)
1956 - Major
1964 - Tenente-Coronel
1967 - Passou para a reserva como Coronel, indo morar em Cascadura, no Rio de Janeiro.
Esta época de infância e adolescência o Ir.'. Delamônica transcreveu cuidadosamente em seu Livro entitulado "Memórias", publicado em 1992, pela Imprensa Universitária da Universidade Federal de Mato Grosso. Do prefácio da obra, assinado pelo Coodenador de Cultura da editora, extaímos o seguinte: "Com muito humor, Átila nos oferece, num texto perpassado de gostosa nostalgia, a sua visão de menino pobre que fazia de Cuiabá, a sua cidade, o seu maior e mais querido brinquedo".
Com efeito, ao ler a obra, descobrimos mais uma faceta do Ir.'. Delamônica, a de exímio escritor, que prende o leitor pela narrativa de seus casos de infância, ocasião em que se revela possuidor de poderosa memória ao fazer desfilar incontáveis personagens, descrever fatos e lugares de vários acontecimentos ligados a sua infância.
O livro se estende até o seu retorno - já como oficial do Exército Brasileiro - a Cuiabá, quando descreve de forma bastante sensível as mudanças que encontrou, consequência do progresso que rapidamente transformou a cidade ao longo de sua juventude.
Seus laços com Vassouras remontam aos tempos em que, com parentes, passou a frequentar a Colônia de Férias da Light, no início da década de 60, onde trabalhava o seu seu futuro sogro. A família da Gracinha, como chama carinhosamente sua esposa, morava na Fazenda Santa Maria, próxima à Colônia. Foi a época em que um amigo seu, o Almeida, incentivou-o a comprar a fazenda D.Bosco.
Reside no mesmo lugar desde 1987, quando passou momentos críticos, tendo que ser submetido a, pelo menos, três cirurgias, todas realizadas pelo saudoso Ir.'. e médico Dr. José Augusto.
Começou a freqüentar a Loja em 1988, já no Gr.’. 32, tendo logo assumido o cargo de secretário.
Dentre as homenagens que guarda com muito orgulho, lembra-se das seguintes:
Título de Cidadão Vassourense concedido pela Câmara Municipal de Vassouras
Honra ao Mérito – Prefeitura Municipal de Vassouras
O Ir.'. Delamônica iniciou na maçonaria em 1948, na Loja Visconde de Cayrú nº 762 (Rito Escocês) filiada ao Grande Oriente do Brasil), na Rua Ana Barbosa, 17 no Méier, bairro do Rio de Janeiro, quando, na época, era Ven.’. M.’. o Ir.’. Osmane Vieira de Rezende. Tomou a iniciativa de construir lojas comerciais no prédio da Loja, o que resultou em receita para a mesma.
Foi Dep. Federal pela Loja Acácia Cuiabana durante 10 anos (de 1952 a 1962).
Participou também da Loja Acácia Cuiabana onde foi Deputado Federal e da Loja Otacílio Câmara, em Santa Cruz, Rio de Janeiro.
Começou a freqüentar a Loja Maçônica Cultura de Vassouras, em 1988, já no Gr.’. 32, tendo logo assumido o cargo de secretário.
Foi Ven.’. M.’. da Loja Cultura de Vassouras durante quatro anos, ocasião em que iniciou cerca de 22 aprendizes.
Diploma do REAA para o Gr.'.33 Grande Inspetor Geral (1989)
Colégio de Grandes Inspetores Gerais
Diploma de Membro efetivo
Diploma do REAA para o Gr.'.33 Grande Inspetor Geral (1989)
Dentre as homenagens maçônicas que recebeu, ressalta as seguintes:
Honra ao Mérito – Gr.’.Oriente do Brasil
Membro emérito – Loja Maçônica Cultura de Vassouras
Medalha do Mérito da Direção Maçônica
Diploma e Medalha Jubileu de Prata – Loja Maçônica Visconde de Cayrú
Diploma de Honra ao Mérito – Loja Maçônica Cultura de Vassouras
Colégio de Grandes Inspetores Gerais
Certificado de Membro Efetivo
Perguntado sobre "a Maçonaria numa única frase", afirma que “É uma organização completíssima no seu conteúdo e ensinamentos”.
Um conselho: “Amar o próximo como a ti mesmo”.
Mensagem aos IIr.’. “Tolerância”.
Mensagem aos mais jovens: “A ter respeito pelos pais”.
Memórias - 1992
Imprensa Universitária - UFMT
Autor: Átila Delamônica
77 páginas
Alguns trechos do livro, para garantido deleite dos visitantes deste blog:
Pág. 01
" Parece-me hoje! Entretanto, lá se vão mais de 50 anos, desde o meu 1º dia de aula no colégio Salesiano de Cuiabá, dirigido pelos Padres Salesianos!
Como foi de nervosismo aquele primeiro encontro com os mestres! Morávamos, nessa época, em um casarão feito de terra socada, ainda construído pelos escravos de minha bisavó, lá pelos anos de 1850.
Nossa moradia possuía nada menos que uma senzala, 08 quartos exageradamente grandes, se bem que muito mal divididos e mal iluminados, uma área interna com forno de barro tipo casa de João-de-barro e, nos fundos, uma enorme cozinha com a indefectível despensa, tudo encravado em terreno de 700 metros de frente por 600 de fundos. Era plantado de árvores frutíferas, naturais da região, sobressaindo as jabuticabas, os cajueiros, as mangueiras, os embuzeiros, as pitombeiras, as frutas-banana, os tamarindos, os cocos de babaçú, os saputás e muitas outras. O local era conhecidíssimo como a "CHÁCARA DA VOVÓ ROSA"
Quem era vovó Rosa? Era minha bisavó, mãe de minha materna avó, a velha mais sovina de que tenho lembrança, no meu tempo de criança!"
Pág 05
"(...) Certa ocasião em que o teatro do colégio encenava a famosa peça "O Guarani", de José de Alencar, na cena em que Pery é morto, não funcionou o punhal, cuja ponta devia entrar para dentro do cabo. Como a batida do autor que matava Pery fosse forte, ouviu-se um grito tremendo no palco. Quando o Pery se refez da dor, em pleno ato, deu vários sopapos no seu matador. Houve verdadeiro tumulto e encerrou-se, nesse dia, a festado primeiro ano letivo."
Pág 10
"(...) Por causa desses apelidos, um dia me dei mal. estava empregado no Chico Miraglia quando este me deu a incumbência de fazer uma cobrança na casa do seu Zecão no Lava-pés. bati na casa indicada e quando apareceu um homenzarrão perguntei: "é aqui mora o seu Zecão?" "O seu José mora, mas o cão mora com tua mãe, tá?". E ato contínuo, ameaçou-me com um pedaço de pau."
Pág 15
"(...) Outra história dessa época é a do pé-de-garrafa, monstrengo de um pé só, com formato de fundo de garrafa, com corpo cobertode pelo. Só morria se o tiro fosse no umbigo. O fato é que, nessa ocasião, eu acreditava e cheguei mesmo a ver muitas pegadas em forma de fundo de garrafa que os mais velhos garantiam ser do bicho. eu mesmo nunca o vi.
O minhocão era também outra lenda da época. Diziam que na beira do rio Cuiabá, no lugar chamado Cervejaria, (por ali ter existido uma fábrica de cerveja) havia um enorme túnelentre o rio e umas lagoas, distante uns quinhentos metros da margem. Por esse túnel de vez em quando passava um enorme animal com o formato de uma grande minhoca. Tal porém era o seu tamanho que o povo o apelidara de "Minhocão". Às vezes ouviam-se estrondos dentro desse túnel, quando da passagem do animal. O fato é que o povo das redondezas afirmava com convicção, que por várias vezes havia visto o tal monstro."
Pág. 26
"(....) Existia no 16º BC um burro por nome Canário, tão manhoso que ninguèm o pegava para nada. Eu fui transferido da 1ª Cia para a Cia de Metralhadoras porque estava tirando o curso d e cabo. nas vésperas de 7 de Setembro muitos animais ficaram doentes e o veterinário não tinha nenhum para substituir o cargueiro da peça. Eu cismei então de pegar o Canário para desfilar na parada. Que trabalho, seu moço! Peguei com dificuldade o animal; arreamos e o preparamos para o desfile. Até aí, o bicho ia aos trancos e barrancos, pois eu havia arrumado um barbicacho para colocar na boca do burro, com um pedaço de arame farpado. quando começava a empacar ou querer pular, eu apertava o bridão que machucava; aí ele ficava quieto. saímos do quartel e desfilamos até a Praça da República ou Jardim da Cidade. Quando paramos em frente do Palácio do Governo e tomamos posição para continência á bandeira, o canáriocomeçou a pular, jogandouma das metralhadoras no chão e entrando comigo e tudo para dentro do jardim. Pula daqui, escoceia dali e eu, muito franzino, quase não podia domar o animal. Em dado momento, porém, consegui torcer o bridão, forçando o queixo dele, até que cedeu. Puxei-o e ele mansocomo um cordeiro entrou de novo em forma, quando terminamos de fazer a continência. Desse dia em diante, o sargento Rosa tornou-se meu grande admirador e sempre falava com ênfase: " esse garoto vai ser "troço" na vida." E assim foi. Quandoem 1948, depois de doze anos, eu já Primeiro Tenente, fui a Cuiabá visitar minha mãe doente, quem estava de adjunto? Era o velho e já brigada Rosa. levou um susto quando eu entrei no velho 16º BC para me apresentar. Dei-lhe um forte abraço e ele então, com aquela voz, disse: " não falei, Tenente, que o senhor seria um Oficial?". Depois quando tornei a voltar em 1953, ele já estava na Reserva.
Pág. 56
(...) Nessa época, eu tentava toda a sorte de trabalho para ajudar em casa; com biscate daqui e dali arranjei dinheiro e, de sociedade com o Maurílio de dona Mariquinha, compramos uma carrocinha de bode, com parelha, por 12 mil-réis. Era um carrinho ajeitado puxado por três bodes. Fazíamos fretes de toda a espécie. Comprávamos lenha no mato para vender na cidade. Lembro-me de um dia que enchemos o carro com bastante lenha, pois havia uma boa encomenda. Acontece que o trajeto dopirizal para a cidade era de uns 6 km. Quando íamos chegando, na subida do beco do Wenceslau, o bode do centro não aguentou o peso e os outros dois sozinho não conseguiram puxar a carroça. Fizemo-nos, então, de bodes eu e o Maurílio. Quando chegamos ao local da entrega não tínhamos coragem de descarregar o carro. Resultado, no dia seguinte vendemos tudo, acabando com a sociedade."
Memórias - 1992
Imprensa Universitária - UFMT
Autor: Átila Delamônica
77 páginas
Alguns trechos do livro, para garantido deleite dos visitantes deste blog:
Pág. 01
" Parece-me hoje! Entretanto, lá se vão mais de 50 anos, desde o meu 1º dia de aula no colégio Salesiano de Cuiabá, dirigido pelos Padres Salesianos!
Como foi de nervosismo aquele primeiro encontro com os mestres! Morávamos, nessa época, em um casarão feito de terra socada, ainda construído pelos escravos de minha bisavó, lá pelos anos de 1850.
Nossa moradia possuía nada menos que uma senzala, 08 quartos exageradamente grandes, se bem que muito mal divididos e mal iluminados, uma área interna com forno de barro tipo casa de João-de-barro e, nos fundos, uma enorme cozinha com a indefectível despensa, tudo encravado em terreno de 700 metros de frente por 600 de fundos. Era plantado de árvores frutíferas, naturais da região, sobressaindo as jabuticabas, os cajueiros, as mangueiras, os embuzeiros, as pitombeiras, as frutas-banana, os tamarindos, os cocos de babaçú, os saputás e muitas outras. O local era conhecidíssimo como a "CHÁCARA DA VOVÓ ROSA"
Quem era vovó Rosa? Era minha bisavó, mãe de minha materna avó, a velha mais sovina de que tenho lembrança, no meu tempo de criança!"
Pág 05
"(...) Certa ocasião em que o teatro do colégio encenava a famosa peça "O Guarani", de José de Alencar, na cena em que Pery é morto, não funcionou o punhal, cuja ponta devia entrar para dentro do cabo. Como a batida do autor que matava Pery fosse forte, ouviu-se um grito tremendo no palco. Quando o Pery se refez da dor, em pleno ato, deu vários sopapos no seu matador. Houve verdadeiro tumulto e encerrou-se, nesse dia, a festado primeiro ano letivo."
Pág 10
"(...) Por causa desses apelidos, um dia me dei mal. estava empregado no Chico Miraglia quando este me deu a incumbência de fazer uma cobrança na casa do seu Zecão no Lava-pés. bati na casa indicada e quando apareceu um homenzarrão perguntei: "é aqui mora o seu Zecão?" "O seu José mora, mas o cão mora com tua mãe, tá?". E ato contínuo, ameaçou-me com um pedaço de pau."
Pág 15
"(...) Outra história dessa época é a do pé-de-garrafa, monstrengo de um pé só, com formato de fundo de garrafa, com corpo cobertode pelo. Só morria se o tiro fosse no umbigo. O fato é que, nessa ocasião, eu acreditava e cheguei mesmo a ver muitas pegadas em forma de fundo de garrafa que os mais velhos garantiam ser do bicho. eu mesmo nunca o vi.
O minhocão era também outra lenda da época. Diziam que na beira do rio Cuiabá, no lugar chamado Cervejaria, (por ali ter existido uma fábrica de cerveja) havia um enorme túnelentre o rio e umas lagoas, distante uns quinhentos metros da margem. Por esse túnel de vez em quando passava um enorme animal com o formato de uma grande minhoca. Tal porém era o seu tamanho que o povo o apelidara de "Minhocão". Às vezes ouviam-se estrondos dentro desse túnel, quando da passagem do animal. O fato é que o povo das redondezas afirmava com convicção, que por várias vezes havia visto o tal monstro."
Pág. 26
"(....) Existia no 16º BC um burro por nome Canário, tão manhoso que ninguèm o pegava para nada. Eu fui transferido da 1ª Cia para a Cia de Metralhadoras porque estava tirando o curso d e cabo. nas vésperas de 7 de Setembro muitos animais ficaram doentes e o veterinário não tinha nenhum para substituir o cargueiro da peça. Eu cismei então de pegar o Canário para desfilar na parada. Que trabalho, seu moço! Peguei com dificuldade o animal; arreamos e o preparamos para o desfile. Até aí, o bicho ia aos trancos e barrancos, pois eu havia arrumado um barbicacho para colocar na boca do burro, com um pedaço de arame farpado. quando começava a empacar ou querer pular, eu apertava o bridão que machucava; aí ele ficava quieto. saímos do quartel e desfilamos até a Praça da República ou Jardim da Cidade. Quando paramos em frente do Palácio do Governo e tomamos posição para continência á bandeira, o canáriocomeçou a pular, jogandouma das metralhadoras no chão e entrando comigo e tudo para dentro do jardim. Pula daqui, escoceia dali e eu, muito franzino, quase não podia domar o animal. Em dado momento, porém, consegui torcer o bridão, forçando o queixo dele, até que cedeu. Puxei-o e ele mansocomo um cordeiro entrou de novo em forma, quando terminamos de fazer a continência. Desse dia em diante, o sargento Rosa tornou-se meu grande admirador e sempre falava com ênfase: " esse garoto vai ser "troço" na vida." E assim foi. Quandoem 1948, depois de doze anos, eu já Primeiro Tenente, fui a Cuiabá visitar minha mãe doente, quem estava de adjunto? Era o velho e já brigada Rosa. levou um susto quando eu entrei no velho 16º BC para me apresentar. Dei-lhe um forte abraço e ele então, com aquela voz, disse: " não falei, Tenente, que o senhor seria um Oficial?". Depois quando tornei a voltar em 1953, ele já estava na Reserva.
Pág. 56
(...) Nessa época, eu tentava toda a sorte de trabalho para ajudar em casa; com biscate daqui e dali arranjei dinheiro e, de sociedade com o Maurílio de dona Mariquinha, compramos uma carrocinha de bode, com parelha, por 12 mil-réis. Era um carrinho ajeitado puxado por três bodes. Fazíamos fretes de toda a espécie. Comprávamos lenha no mato para vender na cidade. Lembro-me de um dia que enchemos o carro com bastante lenha, pois havia uma boa encomenda. Acontece que o trajeto dopirizal para a cidade era de uns 6 km. Quando íamos chegando, na subida do beco do Wenceslau, o bode do centro não aguentou o peso e os outros dois sozinho não conseguiram puxar a carroça. Fizemo-nos, então, de bodes eu e o Maurílio. Quando chegamos ao local da entrega não tínhamos coragem de descarregar o carro. Resultado, no dia seguinte vendemos tudo, acabando com a sociedade."
A Loja Maçônica Cultura de Vassouras, através de seu Ven.'.M.'. e todos os seus obreiros, prestam uma merecida homenagem ao Ir.'. Átila Delamônica, a qual, mais do que uma simples homenagem, desta vez será uma oportunidade de perpetuar e manter acessível a todos sua biografia através dos tempos.






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